Um dia, talvez…

Eu sei, que algum dia, você ainda sentirá minha falta. Não falo isso para te deixar triste, falo isso porque conheço você o suficiente para entender que você não entende nada. Poucas pessoas te enxergam de verdade, e eu sou uma delas, e infelizmente você está perto de me perder. Não canso de te perdoar e de te dizer que entendo porque você faz tudo que faz, mas saiba que toda desculpa acaba cansando. Acabo cansando de sempre ser a que tem que compreender tudo. Tente também abrir seus olhos e perceba o quanto cego você se tornou ao tentar enxergar tão bem e a enxergar a todos. Um dia irá procurar pela paz que encontrou em mim e irá se desesperar. Um dia ser apenas só não será suficiente e será sufocante não poder conversar com alguém que te compreende assim como você fala. E eu daria tudo para poder ver sua reação quando perceber que fazer sentido para alguém é extremamente importante para sobreviver. Um dia, provavelmente ensolarado você estará se perguntando por que ainda estamos sem se falar e vou lembra-lo eternamente que você encontra-se onde está simplesmente porque quis. A gente tenta fugir tanto de ser o que os outros querem que a gente seja, que quando percebemos, somos o reflexo dos nossos piores dias. Tornamo-nos nossa pior versão, por descuido de tanta coisa e tanta gente. Um dia, provavelmente quando chover e estiver frio, estará procurando uma boa companhia para conversar por infindáveis horas e sentirá minha falta, exatamente de mim, por que como ambos sabemos que você era sua melhor versão quando eu estava por perto. Não vou obrigá-lo a enxergar o que você ainda não está pronto para ver, mas estarei aqui para dizer que sinto muito por ter sentido tanto no momento errado. E talvez, um dia, você sinta o mesmo.

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Dor de cabeça.

Hoje acordei com dor de cabeça e evitei ao máximo o que deveria ter feito logo. Escrever. Que obsessão é essa que eu preciso colocar para fora tudo que me sufoca para poder respirar? Quando foi que eu comecei a ficar assim? Quando tinha 13 anos e criei meu primeiro blog para relatar meu dias entediantes para a internet nunca pensei que estaria obcecada com meus próprios pensamentos. Não consigo comer, dormir, caminhar, preciso sentar com alguém por 5 minutos e conversar sobre as ideias estupidas da minha cabeça caso contrário acho que vou enlouquecer – e não estou exagerando. Não consigo encontrar uma música nova que me deixe feliz, graças a Deus a Taylor lançou um álbum novo e não paro de ouvir exile, nunca pensei que precisaria tanto de um feat entre Bon Iver e Taylor. Quantas memórias esses dois seres remoem em mim. Não sei porque ainda tenho essa necessidade de fazer sentido para alguém. Por quê existir por mim mesma não basta? Por quê preciso de aprovação dos outros sobre meus devaneios? Ainda não entendo porque surto tanto por tanto bobagem. Mas talvez eu deva me acostumar com minhas próprias tempestades ao invés impedir que elas aconteçam. Talvez eu deva aceitar que não importe quanto tempo passe, toda vez que chover e o vento esfriar, ficarei mais feliz do que quando o dia está repleto de vida que ainda não tenho dentro de mim. Ainda não entendo tanta coisa e todo dia acordo tentando decifrar a mim mesma culpando os outros por não me entender? 

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Engraçado não, triste

Engraçado como a gente se acostuma a viver sem as pessoas que a gente convivia todos os dias. Engraçado não, triste. Extremamente triste. Aprender a conviver consigo mesma faz você pensar como irá encaixar alguém novamente na sua vida. Como as velhas histórias que antes ansiava tanto para contar já não tem tanta importância. Como o sol para de brilhar aos poucos em cada estação e como o as coisas param de fazer diferença. É tão bom aquela sensação de ser cuidada, amada, por mais simples que seja o ato de amor, ele é válido. Seja ele qual for. Engraçado como tantas músicas que antes não faziam tão significado agora ferem sua alma tão profundamente. Como essas músicas que lá atrás você nem gostava tanta agora ressignificam tudo aquilo que tu é. Engraçado como a gente muda, mesmo não percebendo, mesmo achando que está exatamente igual. Engraçado como a vida não é engraçada. Queria alguns momentos de volta, outros não, Deus me livre. Não sinto falta de faculdade, todos amigos que fiz, deixei lá, mas não os sinto distante, assim como tantos outros. Mas já não me importo. O vento não muda por aqui, isso me irrita. A chuva não cai. Tudo que sempre pedi era a chuva, para poder ler meus romances escondidas, para poder ouvir minhas playlists depressivas, para poder ser eu sem precisar contar nada pra ninguém. Engraçado como algumas saudades não ardem mais, como alguns ventos sopram tão forte mas não te atingem, como algumas histórias de 5 anos atrás ainda voltam a causar rebuliço, as vezes não acho que seja possível que eu ainda conto a história de quando eu ganhei pantufas de aniversário por anos seguidos, e como minha irmã queria um fogão verde pra brincar. Engraçado essas memórias seletivas, e cheias de significado que a gente nem entende. Engraçado como você hoje é mais memória do que qualquer outra coisa.

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Mantra para a vida.

Aprenda a descansar. Minha mãe de 60 anos se achou na necessidade de tomar energético para trabalhar. As pessoas tem essa ideia absurda de que você vai ter energia pelo resto da vida, sempre, em qualquer ocasião e isso é horrível. Se seu corpo está dando sinais de cansaço, aprenda a ouvi-lo. Claro que há casos onde realmente existem problemas, mas em termos gerais, é normal estar cansado. Quem inventou essa ideia de que devemos ser produtivos 12 horas por dia? Somos seres frágeis, vamos ir cansando eventualmente, por qualquer razão que seja. Isso é normal. Anormal é achar que todos podem correr por horas e horas seguidas e achar que todo quem não consegue é fraco. Todos temos limitações diferentes. Tempos diferentes. Ritmos diferentes. Aprenda a respeitá-los, saiba que não há nada de errado em respirar um ar puro e descansar a mente, alma e coração. Hoje em dia tudo acaba sendo desgastante. Estamos cansados, desgastados, e nos sentimos péssimos por isso, quando no fundo deveríamos aceitar que temos pequenas falhas e elas fazem parte de nós. Aprenda também a se desassociar de pessoas que não te fazem bem, seja família ou amigos, não importa, tenha tempo para você e descanse sua alma e suas emoções quando quiser e puder. A vida pode ser muito curta, mas quando vivemos de forma errado, tudo parece distante e longo demais. Limpe sua mente dos pensamentos que te fazem mal, das emoções que te fazem sentir-se desgastada. Neutralize e filtre sons que te fazem mal.

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Acomodada

Você insiste em aparecer quando é noite, faz frio e não tenho ninguém para conversar. E fico pensando em todas as coisas que poderia contar a você, as mudanças que vem acontecendo na minha vida, às urgências que estou tendo em querer ter estabilidade. Às vezes penso em casar, sossegar e nunca mais sair de casa. Mas quando tinha você em minha vida, isso nunca passava por minha mente. Queria viajar, explorar o mundo e principalmente explorar os meus limites. Sinto-me tão acomodada e isso é tão bom e me sinto culpada por me sentir bem quando na verdade não deveria. Que chatice viver assim, cheia de culpas que nem suas são. E quando você vem assim, meio calado, o suficiente para me fazer entrar em pânico, fico tentando me lembrar de que tenho 23 anos e não 17 e que minhas crises não são culpa de ninguém e ninguém tem que ficar com pena de mim. Tô bem crescida já, difícil entender isso? Parece, nem português as vezes eu sei escrever direito e quero dominar o mundo da língua inglesa, e quero aprender alemão, e espanhol e quero aprender coreano mesmo sabendo que pelo jeito que ando não saio do país tão cedo. Credo, bem que você poderia chegar a um horário que eu não estou tão confusa e fora de orbita, cheia de passado e musicas depressivas que me fazem sentir tão bem. Talvez você devesse marcar hora para me ver, assim não fico tão desamparada, que acha?

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Ainda não me acostumei

           Eu gosto de pensar que sou a própria solidão. Não importa quantas pessoas eu tenho em volta de mim, eu sempre busco a solidão, busco a mim mesma. Tento me convencer que faço isso como um mecanismo de defesa, tento não deixar chegar perto demais, pois caso essas pessoas partam – como elas sempre fazem – eu não sofrerei tanto – eu sempre sofro. Não importa o quão singelo e insignificante seja os encontros, eu sempre sofro como se fosse o último dia da minha vida, e nunca mais verei aquela pessoa. Sou melancolia pura quando a chuva começa a cair e percebo que posso ficar intocada no meu canto, fazendo absolutamente nada além de existir. Como se existir não fosse suficientemente sufocante. Como se sentir as dores e partidas da vida não fossem sufocantes. Em momentos assim, eu te procuro como se procurasse refúgio, e nunca te encontro e isso me fere mais do que as despedidas da vida. Você não me deve absolutamente nada, mas não é bem assim que me sinto. Odeio ter a sensação que nunca direi tudo que tenho para dizer. Odeio pensar nisso. Odeio ouvir qualquer melodia triste e remeter ela a você. Odeio não conseguir te odiar por nenhum momento, por nenhum segundo, apesar de tudo. É tão típico de você desaparecer quando não estou bem. Não sei porque ainda não me acostumei.

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Surtar em paz.

Não cheguei a surtar esta semana, mas poderia. Fiquei mais de uma semana longe de casa, e sobrevivi, sobrevivi a mim mesma. Confesso que já estava sentindo falta de poder brigar, falar mal e gritar – coisas que não posso fazer na casa dos outros. Já estava com saudade do meu quarto bagunçado, da minha roupa que não encontra lugar no armário. Todas essas casas bem arrumadas não me enganam não, sei que elas não são assim a semana toda, é só porque eu estou de visita. Eu já estava “me coçando”, querendo mexer no que não é meu, querendo sair correndo na rua sem dar satisfação a ninguém, queria acordar no meio da tarde em paz, e não julgada pelos 3 parentes que viajei horrores para visitar e que gosto muito mas não gosto da minha falta de liberdade. Confesso, porém, que estou me acostumando a ser eu em outros lugares. Essa semana, por exemplo, já conseguia relaxar, pois sabia que minhas mini férias estavam acabando. Viajar e férias pra não são sinônimos. Viajar me estressa, talvez eu esteja viajando com as pessoas erradas, viajar me deixa deslocada. Sair da minha rotina me estressa e o que eu posso fazer se sou assim? Penso ás vezes, que se viajar bastante vou me acostumar, mas não me acostumo, de jeito nenhum, e sempre que tenho que sair de casa penso em 1 milhão e meio de desculpas para não ir. E amo quando não vou. Como entender minha felicidade em cancelar viagens que eu mesma venho preparando há tanto tempo? Pois é, gosto dos mesmos barulhos da minha casa, do radio tocando a mesma música há 23 anos, gosto do vento que arrasta folhas no telhado, gosto de ouvir gritarias dos vizinhos sabendo que não tem nada a ver comigo, gosto das minhas plantas, preciso mexer em algum vazo de flor se não surto. Na verdade, surto igual, mas gosto de surtar em casa, sozinha, feliz.

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Obrigada, apenas.

A janela do meu quarto é provavelmente a minha melhor inspiração para escrever. Dela eu consigo ver a mesma imagem que vejo há mais de 22 anos e ainda assim consigo retirar dela coisas nova. Como esse texto. Hoje acordei inspirada. Deve ser os dias frios de sol que amo tanto, ou como amo abrir a casa mesmo estando estremamente gelado lá fora, gosto de me sentir em casa, de ser caseira, de ser feliz no mesmo lugar há tanto tempo. Engraçado, tanta gente por ai que não consegue encontrar um lugar fixo no mundo e eu aqui apaixonada pela mesma casa desde que nasci. A vida é bem injusta com alguns. Não posso esperar que alguém esse lugar sendo que não nasceu aqui, nem passou mais do que alguns anos. Mas esse lugar me define mais do que qualquer outra coisa, mais do que a minha familia, será? Acordo tão tranquila sabendo que estou aqui, quando viajo não vejo a hora de voltar, quando chego quero viver aqui por mais 50 anos, que tipo de lugar é esse? Eu guardo aqui tanto de mim que se saiu me perco. Gosto de sentir o meu toque em cada canto que eu olho. Gosto das minhas estantes bagunçadas e empoeiradas – pois casa velha é assim, mesmo limpa todos os dias, a poeira consegue se instalar -, gosto do cheiro de calor quando acendo o fogão a lenha, gosto do cheiro da grama úmida, gosto de ver as folhas caírem da amoreira da frente do meu quarto. Tem gente que amanhece em uma cidade e dorme em outra e é muito feliz. Eu sou feliz aqui. No meia dessa bagunça, no meio desse refúgio que ainda posso chamar de meu. Esse lugar me inspira a ser eu. Engraçado, né? Eu amo poder me exercer livremente aqui, obrigada, apenas. 

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Essa vida é sua

A gente começa a viver quando para de se importar com os detalhes ruins e começa a se ligar aos detalhes importantes. A vida é tão curta para ficar infeliz com um fim de semana infeliz. Temos a vida inteira pela frente. Ao invés de pensar em todos seus planos futuros como pesos a serem carregados, pensem neles como conquistas, pense neles como objetivos quase já alcançados. Um dia nublado pode ser tão prazeroso quanto um dia de sol. Não pense no seu passado como falhas a serem escondidas, pense no seu passado como uma jornada pela qual você foi e é o protagonista. Essa vida é só sua, pensei nisso.  Você tem muito tempo para fazer tanta coisa, e deve lutar por tudo aquilo que almeja, mas nunca se esqueça de aproveitar o que você tem hoje. O amanhã é um lugar incerto para depositar sua felicidade. Deposite-a no hoje. Aprenda a ver o sol por de trás da neblina. O sol sempre aparece, não importa o tempo que leve. Entenda que a felicidade não vem de fora, ela vem de você, se você não conseguir encontrar maneiras de ser feliz hoje, com certeza não conseguirá encontra-las no amanhã. Entenda que o tempo está passando, mas é você que o administra. Entenda que o tempo é apenas uma forma de ver o passar dos dias, e eles podem ser muito significativos, ou não. Pare de se desculpar por ser quem você é, por ouvir as músicas que ouve, por ter tomado as decisões que tomou. Saiba que isso apenas demonstra que essa vida é sua e nada é mais seu do que suas indecisões.

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É outono novamente…

É outono novamente. Algumas incertezas continuam, outras já partiram faz tempo. Faz tempo, também, que não te encontro por aqui. Tudo anda tão silencioso, tudo parece andar quieto, mas sei que não será assim por muito tempo. Ainda tenho minha tranquilidade e não sei por quanto tempo ela irá durar. Sei que o tempo ainda anda incerto quanto a mim. Mesmo assim, quando vejo o sol nascer, a primeira imagem que me vem na mente é a sua. Você continua a partir, todos os dias, e nunca vou entender isso. Tenho a impressão que você parte todos os dias, toda hora, e nunca fica. E eu estou começando a ficar cansada. Cansada de esperar que um dia isso mude. Mas eu sei que não vai. Você é assim. Isso também não me impede de esperar que as coisas mudem. A esperança que eu tenho em você realmente me assusta. Não importa a circunstância, o momento, ou quanto tempo passe, eu continuo aqui, esperando por você, como se o tempo que passou nunca realmente existiu. Tudo parece mudar, e tudo parece estar exatamente igual. Tanta coisa muda, tanta coisa mudou, mas o sol ainda nasce para você da mesma forma que nasce para mim. 

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